Durante uma consulta, o médico envia o exame, um texto ou foto e o médico que está na outra ponta dá uma segunda opinião sobre o que fazer. FOTO: Public Domain Pictures

Usar a tecnologia em favor da saúde. Esse é o foco da Telemedicina da EMESCAM, que propõe dois tipos de abordagem. A Educacional propicia pesquisa e desenvolvimento, para graduação e pós-graduação, disseminando o conhecimento e auxiliando nas ferramentas inovadoras na educação em saúde com webaulas e cursos de atualização profissional.

E a Assistencial tem o objetivo de promover teleconsultoria (consulta/pergunta e resposta sobre manejo, condutas, procedimentos clínicos e ações de saúde); segunda opinião formativa; teleeducação através de cursos de atualização para os profissionais de saúde, webaulas, educação à distância (EAD) e telediagnóstico entre os especialistas da EMESCAM/HSCMV e a assistência básica de saúde dentro do estado do Espírito Santo, no Brasil e no mundo.

Quem explica um pouco das possibilidades da Telemedicina é a diretora da Medicina Interativa, Rosane Mageste, Mestre em Saúde Pública pela USP/SP e Especialista em Gestão Pública pela UNICAMP/SP.

O que é a Telemedicina?
A Telemedicina, embora muita gente acredite que sim, não é uma novidade. Ela existe para propiciar informações de saúde a longas distâncias e em tempo real. Funciona com o objetivo de trazer apoio tecnológico, educativo ou assistencial para que as informações cheguem a dois pontos distantes geograficamente. Em resumo, trata-se de um canal em que uma ponta orienta ou aconselha a outra sobre determinado assunto de saúde: uma consulta, uma avaliação de exame, uma segunda opinião sobre diagnóstico.

Para os hospitais, como ela pode ajudar?
Nos dias de hoje, é quase impossível viver sem internet banking, sem comprar passagens pela internet ou sem serviços que dependam de tecnologia para agilizar os processos. Se voltássemos uns 20 anos no tempo, perderíamos um tempo muito grande para executar atividades simples. Na saúde é a mesma coisa. A telemedicina vem para facilitar e qualificar os diagnósticos. Podemos mandar informações a partir de um dispositivo com internet para uma região remota, e ter um resultado de ultrassonografia, por exemplo, em tempo real numa comunicação entre a Grande Vitória e o interior do Estado.

Como a Telemedicina se aplica?
Ela vem para atuar coletivamente, trazendo melhoria para uma população do interior através de um apoio ao profissional de saúde do local. E também atua individualmente, gerando aconselhamento e orientação a um médico de saúde da família, por exemplo. É o que chamamos de segunda opinião formativa. Durante uma consulta, o médico envia o exame, um texto ou foto e o médico que está na outra ponta dá uma segunda opinião sobre o que fazer. Além de ajudar no diagnóstico e no tratamento, isso gera empoderamento e educação, pois o médico que pede os conselhos também está sendo treinado e adquirindo experiência a partir dessa comunicação.

E para os governos e prefeituras, como pode contribuir?
Do ponto de vista de economia em saúde, a telemedicina também é uma estratégia de gestão. As pessoas são atendidas com diagnóstico certeiro, atendimento mais rápido e com melhor resultado. Para o governo, isso é extremamente positivo e estratégico, pois você consegue atender um volume maior de pacientes e evita uma série de transtornos.

E na educação em saúde?
Aí entra outra possibilidade da telemedicina, que é a Educação Híbrida, que era chamada de educação à distância. Nesse caso, o objetivo é sempre estar em sintonia com o tutor, professor, orientador ou coach. Em casa, em viagem ou em qualquer lugar com internet, você sempre terá aquele link de acesso que vai permitir se comunicar com outros profissionais da sua área de interesse. Hoje, através das Rede Universitária de Telemedicina (Rute), estamos em contato com profissionais do Brasil e do mundo.

Como a EMESCAM e o hospital entraram nesse processo?
A Rede Rute tem toda uma normatização para quem quiser fazer parte. Nós adquirimos equipamentos, fizemos treinamentos e nos integramos aos SIGs, que são os grupos de interesses específicos. Há SIGs de várias especialidades: Urologia, de Acidente Vascular Cerebral, de Cardiologia. Cada SIG tem um grupo de profissionais que trocam experiências. Para que a gente entre em um desses SIGs, é necessário ter um coordenador local e seguir as normas, pois há um calendário já definido de conferências. Uma curiosidade é que na Rede Rute ainda não existe um SIG de Genética Humana. E em pouco tempo fazendo parte da rede, nós estamos propondo a inclusão desse SIG que, se for incluído, nós seremos os precursores para as outras instituições. Mandamos a sugestão e queremos trocar experiências com o Brasil e o exterior. Estamos dando mais um passo, o que é bom pra equipe médica e para os estudantes.

E até onde pode chegar esse serviço?
Estamos estruturando o nosso serviço comercial, que se chama Medicina Interativa EMESCAM. Já estamos em conversas com municípios e profissionais que fazem algum tipo de atendimento, consulta ou telediagnóstico. Como já possuímos um aplicativo, temos condições de trabalhar em parceria com instituições para que eles tenham mais suporte. Nós entramos com a estrutura e a empresa personaliza a “cara” do serviço. A atenção domiciliar é um bom exemplo em que se aplica bem.

Para conhecer melhor o serviço de Telemedicina da EMESCAM e Santa Casa de Vitória, acesse www.medicinainterativa.com.