Atualmente, a fachada do hospital estava sem padrão e com várias interferências, resultado de diversas reformas ao longo do ano, onde foram adicionadas caixas para ar condicionado e janelas de diversos padrões diferentes. A obra pretende devolver um padrão estético único e a cor original da época

A Santa Casa de Misericórdia de Vitória deu início, nesta quinta-feira (03/09), às obras de recuperação da fachada histórica do hospital. Localizado na Vila Rubim, o imóvel sofreu diversas alterações importantes ao longo da década, descaracterizando a fachada. O projeto de remodelação do conjunto arquitetônico que contempla fachada e escadaria é assinado pelo Instituto Goia.

O prédio, do início do século passado, foi erguido onde antes existia a sede da antiga Fazenda Campinho – que abrangia toda a região do Parque Moscoso. Doado em testamento à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, o casarão no alto do morro deu lugar ao palacete de dois pavimentos, construído a partir de 1908 e inaugurado em 1912 como hospital da Santa Casa.

Com o passar dos anos e a necessidade de ampliação dos atendimentos na unidade, um terceiro pavimento foi construído no prédio, retirando boa parte das características originais do imóvel, por volta da década de 50.

De acordo com o arquiteto Leandro Terrão, que assina o projeto com o também arquiteto Pedro Canal Filho, a obra tem o objetivo de resgatar a valorização histórica do primeiro hospital do Espírito Santo, além de devolver à Santa Casa a sua entrada original, que ficou “escondida” por anos.

“A Santa Casa tem um histórico importante na formação da cidade e, principalmente, da região do Parque Moscoso. O trabalho de recuperação do prédio e da escadaria permite que quem utiliza o hospital, seja paciente, médico ou estudante, conheça a origem do bairro. Ou seja, a história passa a ser recontada, e a valorização acontece. O Centro de Vitória tem vários problemas, como criminalidade e abandono. Mas também tem um lado histórico essencial na vida da cidade, que merece estar à disposição da população”, explica.

A nova fachada, projetada pelo Instituto Goia, já com a cor dos prédios públicos do início do século XX e as janelas padronizadas

Durante o estudo inicial para o projeto, o Instituto Goia descobriu nos registros que a construção da fachada e da escadaria entre 1908 e 1912, teve participação de Ramos de Azevedo, importante arquiteto e engenheiro civil no século passado, responsável por obras como o Teatro Municipal de São Paulo e o Mercado Municipal. “Pelos registros que encontramos, a única obra dele aqui no Espírito Santo, que se tem conhecimento, é justamente a fachada e a escadaria da Santa Casa de Vitória”, aponta Leandro Terrão.

O diretor administrativo da Santa Casa de Vitória, Fabrício Gaeede, explica as fases de execução do projeto. “Temos uma primeira fase, restaurando a fachada e trazendo o máximo de elementos que pudermos, como o layout, a configuração, a cor. O Instituto Goia veio ajudar principalmente nisso. Depois, em uma próxima fase, vem a reforma da escadaria e a reconstrução do segundo lado da escada, que foi destruído com o passar dos anos. É um projeto mais robusto, que depende da demolição de alguns prédios administrativos”.

A reforma também prevê a reconstrução do segundo lado da escadaria, que não existe mais, além de um centro de convivência e nova guarita, abrindo novamente o acesso principal do hospital

A obra

Da fachada original do hospital, poucos detalhes restaram com o passar do tempo. Um deles é o balaústre central, no segundo pavimento, que permanecerá após a reforma. Para a obra, foi definido um conceito de Retrofit, uma tendência mundial na arquitetura, que visa preservar a memória do imóvel, readequando o que for necessário e tornando-o mais apropriado para os dias atuais.

Será recuperada a visibilidade da fachada pela Avenida Cleto Nunes, destacando novamente o prédio no contexto da cidade, chamando atenção de forma positiva. Além disso, será recuperada a proporção original dos vãos, abrindo novos espaços onde foram fechados ao longo dos anos, e reabrindo arcos sobre as janelas do primeiro pavimento, devolvendo parte das características perdidas.

“Mas sem criar um ‘falso histórico’. Sabemos que era um prédio eclético, que possuía alguns adornos. Mas não existem certezas sobre a existência de vários elementos. Não podemos criar algo pelo que imaginamos. Não é permitido. Então, marcamos as características que temos certeza”, explica Leandro Terrão.

A nova cor, amarelada, Também não foi uma escolha aleatória. O tom, que também está presente no Palácio Anchieta, por exemplo, era um padrão recorrente nos prédios públicos de Vitória, no início do século XX. Como através da técnica de prospecção, que tenta encontrar camadas de tinta originais na parede, não foi possível identificar ao certo a cor original do hospital no período da construção, definiu-se a cor que era padrão para prédios públicos.

Expectativa

Entre os funcionários e pacientes que acessam o hospital, a expectativa era grande para a reforma. Na visão da direção da Santa Casa, três pilares são fundamentais neste momento: respeitar o passado, focar no presente e planejar o futuro. “Nos últimos anos, alcançamos grandes avanços em humanização. Mas permanecia a grande ansiedade de, justamente, restaurar a fachada, que é a “cara” do nosso hospital. São mais de 100 anos de história. Poderíamos modernizar, colocar uma fachada estilizada. Mas não é o nosso interesse. Nosso sonho era valorizar a nossa história, para alcançar ainda mais resultados positivos no futuro”, explica Fabrício Gaeede.

Com as obras iniciadas, a previsão é de que todo o projeto leve cerca de dois anos para ficar pronto, uma vez que são necessárias demolições e limpeza de terreno para “reabrir” o hospital para a rua. “Possivelmente, a conclusão total do projeto será em 2022, com revitalização da portaria, um espaço de interação com pátio para funcionários, pacientes e familiares. Tudo o que hoje impede a vista da entrada antiga, será retirado para reabrir este acesso”, afirma Fabrício.

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